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Sexta-feira, 23 de outubro de 2026 Nova matéria todo dia às 19h
Saúde

Cachorro remelando os olhos: quando é normal e quando preocupa

Um pouco de remela sem outros sinais pode ser só resíduo da lágrima. Secreção espessa, olho vermelho ou dor pedem consulta.

Por , editor Publicado em · 5 min de leitura
Close do rosto de um cachorro de pelo claro, com olhos atentos e brilhantes
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

Resumo rápido

  • Pouca remela, sem olho vermelho, inchaço ou incômodo, tende a ser apenas resíduo da lágrima.
  • Secreção espessa e persistente pode indicar conjuntivite ou olho seco, que precisam de tratamento.
  • Olho fechado, piscando sem parar, opaco ou vermelho é motivo de consulta rápida para proteger a visão.

Um cachorro remelando os olhos de leve, com um pouco de resíduo no canto e sem outros sinais, geralmente não preocupa. A lágrima tem água, óleo e muco, e parte disso pode secar ali. A remela preocupa quando é abundante, espessa, amarelada ou esverdeada, ou vem com olho vermelho, inchado, piscando muito ou opaco.

Quando a remela é normal

O olho do cão é protegido por uma película de lágrima formada por três camadas: água, óleo e muco. Cada uma vem de uma glândula diferente. Essa lágrima se espalha a cada piscada, limpa pequenas partículas e escoa por canais que levam até o nariz.

Por isso, um pouco de resíduo seco no canto interno do olho, principalmente depois que o cão dorme, tende a ser só o que sobrou desse processo. Os sinais de que está tudo bem são:

  • pouca quantidade, que não volta logo depois de limpar;
  • olho brilhante, sem vermelhidão;
  • pálpebras sem inchaço;
  • cão abrindo bem os dois olhos, sem coçar nem esfregar.

Quando a remela preocupa

Fique atento se a remela:

  • aparece em grande quantidade ou volta rápido depois da limpeza;
  • é espessa, grudenta, amarelada ou esverdeada;
  • está em apenas um olho;
  • vem com vermelhidão, inchaço, olho semicerrado ou piscadas frequentes;
  • vem acompanhada de olho opaco, manchas na córnea ou mudança no tamanho do olho.

Principais causas de remela em cães

Conjuntivite

É a inflamação da conjuntiva, a membrana que reveste a parte interna das pálpebras e a área ao redor do olho. É comum em cães. Os sinais são olho vermelho, inchaço ao redor da córnea, secreção e desconforto leve. Pode ser causada por vírus, bactérias, alergias e irritantes do ambiente.

Uma pista útil: infecções costumam atingir os dois olhos. Quando só um olho está afetado, o veterinário pensa também em olho seco, corpo estranho ou inflamação do saco lacrimal.

Olho seco (ceratoconjuntivite seca)

Acontece quando o olho produz lágrima de menos. Em vez de proteger, a superfície do olho resseca e reage com uma secreção espessa e persistente, além de vermelhidão. Com o tempo, podem surgir feridas na córnea que demoram a cicatrizar e cicatrizes que atrapalham a visão.

Em cães, o olho seco está frequentemente ligado a uma inflamação de origem autoimune nas glândulas da lágrima. Cinomose, alguns medicamentos, herança genética e traumas são causas menos comuns. O tratamento costuma ser contínuo, muitas vezes pela vida toda, e é definido pelo veterinário após um teste que mede a produção de lágrima.

Problemas nas pálpebras e nos cílios

  • Entrópio: a borda da pálpebra se dobra para dentro, e os cílios e pelos raspam o olho. Causa irritação, dor e piscadas involuntárias. É o defeito hereditário de pálpebra mais comum em várias raças.
  • Ectrópio: a pálpebra se vira para fora, deixando a conjuntiva exposta. Isso favorece conjuntivites que vão e voltam. É mais visto em raças como Bloodhound, Bull Mastiff, Dogue Alemão, Terra-Nova, São Bernardo e alguns Spaniels.
  • Cílios fora do lugar: cílios extras ou crescendo na direção errada podem provocar lacrimejamento e feridas na córnea.

Esses problemas costumam exigir correção feita pelo veterinário.

Canal lacrimal entupido

Quando o canal que leva a lágrima até o nariz fica obstruído, o olho lacrimeja além do normal. Se o saco lacrimal inflama (dacriocistite), surgem olho lacrimejando e conjuntivite que não responde ao tratamento comum. Alguns filhotes nascem sem a abertura desse canal, outra causa de olhos molhados.

Olho de cereja

É quando a glândula da terceira pálpebra sai do lugar e aparece como uma bolinha vermelha no canto interno do olho. Pode vir com secreção purulenta. É mais comum em cães jovens e em raças como Cocker Spaniel Americano, Lhasa Apso, Beagle, Pequinês e Buldogue Inglês. Cães com olho de cereja parecem ter mais chance de desenvolver olho seco depois.

Úlcera de córnea

É uma ferida na superfície do olho, geralmente causada por arranhões, objetos estranhos ou produtos químicos. Provoca dor, lacrimejamento e piscadas repetidas. Pode piorar com infecção. Precisa de atendimento rápido, porque a córnea é essencial para a visão.

Doenças que afetam o corpo todo

Algumas alterações nos olhos são sinal de uma doença geral. A cinomose, por exemplo, está entre as causas de inflamação no nariz e de olho seco. Manter o calendário de vacinas do cachorro em dia ajuda a prevenir essa doença. Se a remela vier junto com espirros e secreção nasal, veja também cachorro espirrando muito.

Tipos de remela e o que podem indicar

AspectoPode indicarO que fazer
Pouca, seca, no canto, sem outros sinaisResíduo da lágrimaLimpar com delicadeza e observar
Lacrimejamento constanteCanal lacrimal obstruído, cílios irritando, inflamaçãoConsulta
Espessa, grudenta, persistenteOlho seco ou conjuntiviteConsulta
Amarelada ou esverdeada, com olho vermelhoConjuntivite com infecçãoConsulta
Com olho fechado, piscadas e dorÚlcera, corpo estranhoConsulta rápida
Com olho opaco, vermelho e pupila dilatadaGlaucoma ou outra urgência ocularEmergência

Como limpar a remela com segurança

  • Use gaze ou algodão limpo e úmido, um pedaço para cada olho.
  • Limpe com movimentos suaves, sem esfregar nem pressionar o olho.
  • Não use produtos, chás ou colírios sem orientação veterinária.

A limpeza ajuda no conforto, mas não trata a causa. Se a remela volta sempre, o cão precisa ser examinado.

Como o veterinário investiga

Só olhar o olho nem sempre basta para o diagnóstico. O veterinário costuma reunir histórico e exame físico e pode fazer um teste que mede a produção de lágrima, exame da córnea, coleta de material da conjuntiva e, às vezes, biópsia. O tratamento depende da causa e pode combinar mais de uma abordagem.

Quando procurar o veterinário

Procure atendimento com urgência se o seu cachorro:

  • mantém um olho fechado ou pisca sem parar;
  • tem olho opaco, com a córnea inchada ou com mancha branca;
  • está com o olho muito vermelho e a pupila dilatada;
  • teve um arranhão, pancada ou contato com produto químico no olho;
  • tem um olho que parece maior que o outro.

Marque uma consulta logo se:

  • a remela é espessa, amarelada ou esverdeada;
  • a remela volta sempre, mesmo com limpeza;
  • há vermelhidão ou inchaço nas pálpebras;
  • o problema está em um olho só;
  • surgiu uma bolinha vermelha no canto do olho.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um médico-veterinário.

Perguntas frequentes

É normal o cachorro ter remela todo dia?

Uma pequena quantidade, sem vermelhidão, inchaço ou desconforto, costuma ser apenas resíduo da lágrima. Se a remela é abundante, espessa, amarelada ou esverdeada, ou volta logo depois de limpar, vale consultar o veterinário.

Remela verde ou amarela no cachorro é conjuntivite?

Pode ser. Secreção com muco e pus é comum na conjuntivite, mas também aparece no olho seco e em outros problemas oculares. Só o exame do veterinário identifica a causa.

Remela em um olho só tem significado diferente?

Sim. Problemas em um único olho podem estar ligados a olho seco, corpo estranho ou inflamação do saco lacrimal. Infecções costumam afetar os dois olhos.

Posso usar colírio humano no meu cachorro?

Não use nenhum colírio sem orientação. O tratamento depende da causa, e alguns problemas, como úlceras na córnea, exigem avaliação antes de qualquer produto.

Fontes

  1. Distúrbios da conjuntiva em cães — Manual MSD de Veterinária
  2. Distúrbios da cavidade nasal e dos canais lacrimais em cães — Manual MSD de Veterinária
  3. Distúrbios das pálpebras em cães — Manual MSD de Veterinária
  4. Distúrbios da córnea em cães — Manual MSD de Veterinária
  5. Estrutura e função ocular de cães — Manual MSD de Veterinária
  6. Glaucoma em cães — Manual MSD de Veterinária

Texto produzido com apoio de inteligência artificial a partir das fontes acima, sob responsabilidade do editor Ricardo Machado. Conteúdo informativo: não substitui a consulta com um médico-veterinário. Como trabalhamos

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